!Cordel da velhice
Hoje estou aqui contente
Para falar com meiguice
De uma certa meninice
Que o tempo achou de acabar
Levou pra longe da Terra
Levou pras onda do mar
E aqui fico nesse pesar
Quando começo a lembrar
Do tempo que foi embora
Para nunca mais voltar.
Vou falar tudo rimado
Pra um ouvido cansado
Que procura aconchego
Nos braços de um chamego
Remédio melhor não há.
Que colocar no papel
com alegria a velhice
Num versinho de cordel.
Já fui moça bem matreira
Já amei na ribanceira, seu doutor
Agora só o que sinto,
Ó Xente! É muita dor!
Dói os tornozelos, dói os joelhos
Dói o dente, quando o tempo está quente
Dói a mente e até o pé
Pra amenizar tanta dor,
só mesmo um bom café!
É dor de tempo perdido
È dor de amor escondido.
Incomoda minha fé
E coceira que não pára!
Parece bicho de pé!
Minha lembrança se esconde
Na tristeza e na alegria
A juventude mora longe,
É vizinha da nostalgia!
Daquilo que muito vivi
Por isso posso falar
Crianças ouçam o que digo
Mas, não queiram experimentar
Não há idade precisa